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Esta semana tem sido explorado, até de maneira  exagerada a noticia de uma estudante de direito pega em flagrante furtando  produtos cosméticos de uma lojas do Via Shoping. Tanta exposição teria como motivação  o fato da jovem  ser de classe média e fazer medicina em uma faculdade particular das mais caras do Acre.
 
Toda imprensa do Acre é conhecedora  do constrangimento do marido advogado e dos filhos de uma apresentadora de TV, presa  por praticas de pequenos furtos quando sabia-se não tinha necessidade. A jornalista apresentadora sofria de uma doença conhecida por Cleptomania, cujo impulso por pequenos furtos é maior  que a vontada de não furtar.
Infelizmente para esta moça em questão  a imprensa não está tendo nunhuma compaixão e ataca como se fose uma ladra de galinha que deve ir para cedeia como qualquer  "ladrão pé de chinelo". Alguém parou para pensar  se essa moça não sofre da mesma doença da jornalita.  Se esse não for o caso, aí sim merece repúdio pelo crime.
 
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A cleptomania é uma doença psiquiátrica crônica caracterizada pela necessidade impulsiva de furtar objetos. No DSM.IV, classificação de doenças mentais norte americana, trata-se de um fracasso recorrente em resistir a impulsos de furtar objetos, embora esses sejam desnecessários para o uso pessoal ou por seu valor monetário.
A cleptomania faz parte dos Transtornos no Controle dos Impulsos, assim como a Piromania (comportamento incendiário), a Tricotilomania (puxar os próprios cabelos), o Transtorno Explosivo Intermitente (fracasso em resistira impulsos agressivos), o Jogo Compulsivo (comportamento recorrente em relação a jogos de azar).
A cleptomania tem sido mencionada na medicina durante séculos. O nome “cleptomania” começou com a observação do psiquiatra suíço Andre Matthey (klopemanie) ao descrever pessoas que roubavam impulsivamente itens irrelevantes e desnecessários. Os médicos franceses Esquirol e Marc corroboraram o conceito de Matthey e alteraram sutilmente a palavra para kleptomanie.
A importância de Esquirol e Marc foi em relação à qualificação da atitude da pessoa comcleptomania, segundo eles, decorrente do impulso irresistível e involuntário para o furto, além de atribuir este tipo de furto à uma doença mental e não à falta de consciência moral. Somente a partir dos anos 50 é que a cleptomania foi reconhecida pela Associação de Psiquiatria Americana como uma espécie de doença mental e só nos últimos 15 anos os trabalhos científicos nesta área confirmaram-na realmente como um transtorno psiquiátrico.
 

cleptomania4

A necessidade surge como um impulso que não se consegue controlar e normalmente os objetos que despertam desejo sobre os cleptomaníacos são aqueles de baixo valor, embora isso não seja uma regra invariável. Por causa da absoluta preferência por objetos sem grande valor devemos estar alerta para ladrões querendo passar-se por cleptomaníacos. Dinheiro, jóias e outros objetos de valor dificilmente são levados por cleptomaníacos.
Logo após o furto a pessoa cleptomaníaca sente prazer e tem um grande alívio da ansiedade que existia antes do ato, mas algum tempo depois sente vergonha e tristeza pelo que fez. Habitualmente ela esconde seu comportamento da família dificultando o diagnóstico e o tratamento e, quando decide por tratar-se tem grande dificuldade em falar que furta, preferindo outros termos, tais como, pegar, adquirir, levar, conseguir e coisas assim.
 
Os impulsos para o furto são mais fortes do que a capacidade da pessoa em controlar-se, daí a inclusão da cleptomania nos Transtornos do Controle dos Impulsos. Acompanhando o forte impulso e a realização do roubo, vem um enorme prazer em ter furtado o objeto cobiçado. Após o furto o paciente reconhece o erro e a natureza de seu gesto, deprime-se por não conseguir controlar-se, por não ter evitado que isso acontecesse. Alguns pacientes pedem para ser acompanhados quando saem de casa e, com isso, sentirem-se inibidos para furtar.
 
Algumas características da cleptomania se assemelham muito ao transtorno obsessivo compulsivo, por isso, embora atualmente a doença esteja classificada nos Transtornos do Controle dos Impulsos, está sendo cogitado classificá-la no Espectro Obsessivo-Compulsivo. Como outros transtornos que implicam em compulsões, como por exemplo, a bulimia, onde o paciente a sente-se culpado e envergonhado por de ter comido demais, na cleptomania também o paciente sofre culpa, arrependimento e vergonha depois de ter furtado.
 
Aparentemente, a pessoa portadora de cleptomania é completamente normal em todas as outras áreas psíquicas. Não há nenhum traço que identifique algum descontrole emocional em outras atividades psíquicas como em algumas outras doenças mentais, ou seja, não é possível identificar o cleptomaníaco se ele não furtar objetos. Acredita-se que cleptomaníacos possam ainda apresentar sinais de depressão, ansiedade, anorexia e outros transtornos associados.
 
A cleptomania deve ser diferenciada de atos comuns de roubo ou furtos em lojas. Estudos em lojas mostram que em menos de 5% dos roubos estavam envolvidos cleptomaníacos. O furto comum é planejado, deliberado e motivado pela utilidade do objeto ou por seu valor monetário.Há casos em que ladrões buscam se passar por doentes para justificar os assaltos que comete, mas já foi comprovado que a pessoa realmente doente rouba objetos sem valor sendo que em casos isolados roubam algo de valor.
Portanto, em casos de roubos de alto valor deve-se estudar detalhadamente o histórico da pessoa para que um criminoso não seja confundido com um doente psiquiátrico.
 
Geralmente a cleptomania começa no final da adolescência e continua por vários anos da vida adulta. Atualmente é considerada uma doença crônica e seu curso ao longo da vida é desconhecido, ou seja, não se sabe se ocorre cura espontânea ou não.
 
A comorbidade dacleptomania com outros transtornos psiquiátricos é comum, principalmente com outras patologias do controle de impulsos (20-46%), com uso patológico de substâncias (23-50%) e transtornos do humor, principalmente depressão (45-100%).  Há ainda comorbidade com Transtornos de Ansiedade, Transtornos Alimentares (particularmente Bulimia Nervosa) e Transtornos da Personalidade.
 
Embora a cleptomania possa ser encontrada tanto em homens como em mulheres, a ocorrência em mulheres parece ser maior, ou talvez elas cheguem aos tratamentos especializados mais que os homens. A incidência da cleptomania no mundo todo é estimada em aproximadamente 6 casos por 1000. Devido implicações legais e éticas envolvidos na cleptomania, junto com a tendência do paciente em se esconder, é provável que essa incidência esteja subestimada.

cleptomania3

Ainda existem poucas informações psiquiátricas sobre o curso e prognóstico dacleptomania, mas foram descritos três cursos típicos: cleptomania esporádica, com episódios breves e longos períodos de acalmia; cleptomania episódica, com períodos prolongados de furtos e períodos de remissão; cleptomania crônica, com algum grau de flutuação. Apesar de eventuais condenações por furtos, o transtorno pode continuar por muitos anos.

Critérios Diagnósticos para Cleptomania no DSM.IV

A. Fracasso recorrente em resistir aos impulsos de furtar objetos que não são necessários para o uso pessoal ou por seu valor monetário.

B. Sentimento aumentado de tensão imediatamente antes da realização do furto.

C. Prazer, satisfação ou alívio no momento de cometer o furto.

D. O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança, nem ocorre em resposta a um delírio ou alucinação.

E. O furto não é melhor explicado por um Transtorno da Conduta, um Episódio Maníaco ou um Transtorno da Personalidade Anti-Social.

Tratamento
Atualmente, a FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos não tem nenhuma medicação formalmente indicada para o tratamento da cleptomania. Os trabalhos realizados nessa área, entretanto, apontam resultados com várias substâncias promissoras: paroxetina, fluvoxamina, escitalopram, uma combinação de sertralina e o estimulante metilfenidato, imipramina em combinação com fluoxetina, e o ácido valpróico.
Infelizmente, como acontece no conflito comercial na indústria farmacêutica, para cada relato de tratamento positivo com determinada substância, existem outros relatos negativos em relação a eficácia da mesma medicação. É um desserviço à ciência.
Não obstante, segundo revisão de Brian e Odlaug (2008), em uma série cinco pessoas com cleptomania todas apresentaram melhora com antidepressivos, quatro delas apresentaram com fluoxetina e uma com paroxetina. O tratamento a base de antidepressivos se apóia na hipótese de que os cleptomaníacos tenham uma disfunção ou uma diminuição da quantidade de serotonina e dopamina (neurotransmissores responsáveis pelo controle do impulso) no espaço entre dois neurônios. Essa disfunção provoca o descontrole do impulso e, conseqüentemente, pode levar a quadros de ansiedade e depressão.
Outra série de três pessoas que remitiram completamente os sintomas de cleptomaniaapós dois meses de tratamento assim registrado: uma mulher de 28 anos com uma combinação de 100 mg/dia de topiramato e 30 mg/dia de citalopram em; uma mulher de 32 anos com 100 mg/dia de topiramato e 60 mg/dia de paroxetina  e um homem de 18 anos com 150 mg/dia de topiramato (Dannon, 2006) .
Em relação ao escitalopram, das 20 pessoas tratadas, 79% delas relatou melhora no comportamento de furtar. Os que responderam ao escitalopram foram aleatorizados para continuar a medicação ou para receber placebo. Mas o efeito real do medicamento é contestado porque um número quase igual de pacientes respondeu também ao tratamento com placebo (Aboujaoude, Koran e Gamel, 2005).
Aparentemente o resultado mais promissor foi com a naltrexona. O acompanhamento por um período de três anos de 17 pessoas com cleptomania tratados com naltrexona produziu os seguintes resultados: 76,5% das pessoas relataram redução nos impulsos para furtar, 41,1% pararam totalmente de furtar e 52,9% foram classificados como "totalmente sadios".
Várias formas de terapia comportamental, psicanalítica, psicodinâmica e cognitivo-comportamental (TCC) têm sido relatadas como benéficas para tratar a cleptomania. Embora não hajam ainda estudos controlados sobre efetivos resultados de qualquer dos tipos de psicoterapia para a cleptomania, os tratamentos que combinam terapia cognitivo-comportamental com medicação têm mostrado mais benefícios para a cleptomania.
Para referir: 
Ballone GJ, Celli MM - Cleptomania, in. PsiqWeb, internet, disponível emhttp://www.psiqweb.med.br/, 2009

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