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Atitude do presidente dos Estados Unidos foi classificada de 'irresponsável'; líderes mundiais se dizem "decepcionados' e entendem como um retrocesso

"Grande decepção", "irresponsável", "equivocada": as reações ao anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima foram negativas em todo o mundo.

Brasil

Em um comunicado oficial, o Itamaraty manifestou "profunda preocupação e decepção" com a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, anunciada nesta quinta-feira por Trump, e ratificou estar "comprometido" com a implementação do pacto.

 

"Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", acrescentou a chancelaria brasileira.

 

ONU

A decisão dos Estados Unidos de se retirarem do Acordo de Paris sobre o clima é uma "grande decepção", afirmou na quinta-feira o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

 

"É essencial que os Estados Unidos mantenham um papel dirigente nos assuntos ambientais", disse Dujarric.

O porta-voz se referiu à vontade do secretário-geral da organização, Antonio Guterres, "de dialogar com o governo americano e todas as partes interessadas nos Estados Unidos", e disse que ele "tem confiança nas cidades, estados e empresas" americanas para continuar trabalhando pela redução das emissões de carbono.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que Trump "cometeu um erro para os interesses de seu país e um erro para o futuro do nosso planeta", ao decidir retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima.

 

"Lamento" esta decisão. Os "Estados Unidos deram as costas ao mundo", declarou Macron em uma rápida declaração transmitida pela TV.

 

Em seu discurso televisionado, Macron parafraseou o slogan da campanha de Trump e, falando em inglês, dirigindo-se aos defensores do clima, convocou-os a "Make our planet great again" (fazer nosso planeta grande de novo).

 

Mais cedo, em um telefonema de cinco minutos, Macron tinha dito a Trump que era possível "discutir", mas que "nada nos acordos de Paris é negociável", informou uma fonte da Presidência francesa.

 

Em sua declaração, o presidente francês fez um convite aos "cientistas, empreendedores e cidadãos comprometidos" americanos a viajarem para a França para trabalhar em "soluções concretas para o clima".

 

União Europeia

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considerou "seriamente equivocada" a decisão do presidente americano. Nesta sexta-feira, Juncker, afirmou que não há possibilidade de volta atrás no acordo de luta contra as mudanças

 

O mundo "pode contar com a Europa" para dirigir a luta contra o aquecimento global, indicou em um comunicado o comissário europeu para o Clima, Miguel Arias Cañete.

 

Alemanha, França e Itália

Os três países afirmaram em uma declaração conjunta que "lamentam" a decisão dos Estados Unidos de sair deste pacto.

 

"Estamos firmemente convencidos de que o acordo não pode ser renegociado", na medida em que representa um "instrumento vital para nosso planeta, nossas sociedades e nossas economias", acrescentaram.

 

"Consideramos que sua dinâmica é irreversível" e que oferece "oportunidades consideráveis para a prosperidade e o crescimento, em nossos países e em nível global", insistiram os três líderes.

 

Donald Trump tomou uma decisão "vergonhosa" ao retirar seu país do Acordo de Paris sobre o clima, afirmou o francês Laurent Fabius, ex-presidente da COP21, que denunciou o "pacote de mentiras" sobre o tema do presidente americano.

 

Alemanha

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta sexta-feira que está "mais determinada que nunca" a agir a favor do clima. "Esta decisão não pode e não vai deter aqueles de nós que acreditam que temos o dever de proteger o planeta", disse.

 

Na véspera, Merkel declarou que "lamenta" a decisão de Trump e pediu que se continue com "a política climática que preserva a nossa Terra".

 

Vários de seus ministros social-democratas, entre eles seu ministro das Relações Exteriores, advertiram que a decisão de Trump "prejudicará" o mundo inteiro.

 

Reino Unido

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse ao presidente americano em uma conversa por telefone que o "Acordo de Paris outorga o marco global adequado para proteger a prosperidade e a segurança das gerações futuras, mantendo, ao mesmo tempo, a energia a preços alcançáveis e seguros para cidadãos e empresas".

 

No diálogo, May expressou sua decepção com a decisão e destacou que o Reino Unido continua comprometido com o Acordo de Paris.

 

"O presidente deixou claro que a porta continua aberta para uma futura participação no Acordo", destacou o governo britânico em um comunicado.

 

Itália

O presidente do Conselho italiano, Paolo Gentiloni, afirmou que não se deve "retroceder" com o que foi alcançado em Paris.

 

Estados Unidos 

O ex-presidente americano Barack Obama lamentou a decisão do seu sucessor de retirar o país do acordo que ele assinou em dezembro de 2015, alertando que essa decisão faz com que os Estados Unidos "rejeitem o futuro".

 

"As nações que permanecem no Acordo de Paris serão as nações que colherão os benefícios em empregos e indústrias criadas", afirmou Obama em um comunicado.

 

"Mesmo na ausência da liderança americana, mesmo que esta administração se una a um pequeno grupo de nações que rejeitam o futuro, estou confiante de que nossos estados, cidades e empresas vão avançar e fazer ainda mais para indicar o caminho e ajudar a proteger o único planeta que temos para as futuras gerações", acrescentou.

 

China

A agência oficial Xinhua publicou um artigo com o título "A retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris é um retrocesso global", no qual considera que a decisão do presidente americano, Donald Trump, de sair do acordo de Paris deixa um espaço muito grande para ser preenchido por apenas um país.

 

"Mas outros atores grandes, como União Europeia, China e Índia reiteram a vontade de aumentar os esforços ante a mudança de opinião dos Estados Unidos sobre este acordo emblemático", completou a agência.

 

Canadá

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, ligou para Trump nesta quinta-feira para expressar "sua decepção" com a decisão do presidente americano e transmitir sua intenção de continuar trabalhando com parceiros internacionais para combater as mudanças climáticas.

 

"Enquanto a decisão dos Estados Unidos é desanimadora, continuamos inspirados pelo impulso crescente em todo o mundo para combater as mudanças climáticas e a transição para economias de crescimento limpo", disse Trudeau em um comunicado.

 

O primeiro-ministro prometeu, ainda, continuar trabalhando com estados americanos que apoiam a ação climática "para impulsionar o progresso em um dos maiores desafios que enfrentamos como mundo".

 

Dinamarca

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, disse que esta quinta-feira é "um dia triste para o mundo", e que "a Dinamarca está pronta para continuar a batalha pelo clima e salvar as gerações futuras".

Chile

O governo do Chile expressou sua "profunda decepção" com o anúncio de Trump, por considerar que a implementação do Acordo é "fundamental para o bem-estar das gerações presentes e futuras".

 

Argentina

O governo argentino expressou que "lamenta profundamente" a medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump.

 

Fiji

O combate conta o aquecimento global prosseguirá, apesar da "infeliz" decisão dos Estados Unidos, afirmou o primeiro-ministro de Fiji, Voreqe Bainimarama, que presidirá a COP23 que acontecerá este ano na Alemanha.

 

Austrália

O ministro do Meio Ambiente e da Energia, Josh Frydenberg, afirmou que seu país respeitará os compromissos por considerar que o acordo de Paris "é sensato".

 

Nova Zelândia

Muitas declarações do presidente Trump são inexatas, reagiu a ministra neozelandesa para a Mudança Climática, Paula Bennett. "Não custará mais aos Estados Unidos que aos outros respeitar o acordo de Paris", disse.

 

Polinésia

O presidente da Assembleia da Polinésia Francesa, Marcel Tuihani, afirmou que está "estupefato".

 

"Lamentamos profundamente que o presidente dos Estados Unidos não tenha mais consideração pelos povos dos Estados insulares do Pacífico, cuja existência está ameaçada pelos efeitos do aquecimento global cientificamente comprovados", disse Tuihani.

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