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Professores da rede municipal de educação de Seropédica, na Baixada Fluminense, reclamaram da falta de transporte para chegar a escolas mais distantes e a secretária de Educação e primeira-dama da cidade respondeu com uma solução inusitada: sugeriu que os professores comprassem ou alugassem um jegue.

 

A secretária Municipal de Educação, Cultura e Esporte, Sônia Oliveira de Souza, fez o comentário durante uma reunião com diretores das escolas municipais porque, segundo a Secretaria de Educação, os pais estavam reclamando que os professores usavam os ônibus escolares. Quando ela fez a sugestão, o jornal Perfil gravou e o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação cedeu ao Bom Dia Rio.

 

“O funcionário, até porque todos os funcionários agora recebem ajuda de custo para o transporte. ‘Ah, mas a escola é longínqua’. Isso não é problema meu. Quem fez concurso sabia e quando ele foi escolher a escola dele também. Então é assim, gente, olha, eles irão se comprometer com vocês a auxiliar as crianças no ônibus. Aquele que não quiser ajudar não tem problema, não é obrigado, mas eu também sou obrigado a dar carona pra ele. Ele vai a pé ou então ele aluga um jegue. Tem um monte de jegue aí na rua baratinho. Com R$200 você compra um jegue", diz a secrtária na gravação.

 

Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Seropédica, Roseli Rodrigues de Novaes, a reação dos professores com esse comentário foi de indignação.

 

“Os professores ficaram indignados, revoltados, com essa atitude da secretária. Uma fala infeliz em uma reunião de diretores onde ela dá orientação aos diretores de como levar instrtuções aos professores. Que tipo de educadores nós vamos ter nas escolas? Educadores oprimidos? Educadores assediados moralmente?", disse Roseli.

 

Ainda de acordo com a coordenadora, os professores e funcionários recebem R$ 160 por mês para trabalhar cinco dias na semana e esse valor não é o suficiente para pagar a passagem.

 

"Tem escolas no município que você tem que pegar três ônibus para chegar até ela [escola]. Você gasta esse valor de R$ 160 em uma semana, em 15 dias. Não dá. E a desvalorização é muito grande. Os professores são humilhados", lamentou Roseli.

 

Em nota, a Secretária de Educação reconheceu que foi infeliz na sua declaração. Ela disse que sua reação foi consequência da reclamação de pais insatisfeitos com o fato de professores estarem ocupando o ônibus escolar.

 

"Foi um desabafo infeliz. Peço desculpas aos que se sentiram constrangidos. Minha reação foi consequência das reclamações de pais e mães de alunos que procuraram a prefeitura para se queixar de que alguns professores estavam ocupando indevidamente o espaço dos alunos nos ônibus escolares. Os professores de Seropédica recebem R$ 160 mensalmente como ajuda de custo de transporte. Estavam economizando dinheiro com a utilização indevida do transporte exclusivo para os alunos. Não esperava que a minha reação numa reunião com diretoras fosse ter essa repercussão toda. Foi quase uma brincadeira. Não tive a intenção de magoar ninguém.", afirmou a secretária em nota.

 

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